Desenvolva pessoas delegando autoridade

Muito provavelmente uma das maiores insatisfações existentes no campo das chamadas competências gerenciais está situada no processo de delegação.

As insatisfações são provenientes de profissionais com posições de direção, até supervisores de primeiro nível, passando por gerências intermediárias.

A inexistência de processos de delegação consistentes e voltados para a motivação, desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional, parecem merecer uma atenção especial por parte das lideranças.

Relaciono, abaixo, as lamúrias que tem dado mais “IBOPE”, nas conversas que tenho tido com supervisores, gerentes e mesmo diretores de empresas.

 

Você já disse, ou ouviu, alguma coisa semelhante às descritas acima?

Dificuldades na delegação

São várias as causas das dificuldades que as lideranças têm para delegar. A maioria é conhecida por todos nós. Sem qualquer pretensão de ser original, mas apenas com o propósito de relembrar, descrevo aquelas causas que são mais frequentes:

 

Tenho a convicção de que o processo de delegação de autoridade é o instrumento gerencial mais eficaz para fazer com que as pessoas se desenvolvam. Além do mais, é o mais barato e mais produtivo processo de treinamento que existe, pois acontece em cenário real e com isso o líder está executado uma de suas mais nobres funções: criar herdeiros do seu trono. Só assim, ele poderá ter condições de ser promovido, tirar férias tranquilas, já que sabe que têm pessoas capazes e motivadas a ocuparem o seu atual cargo.

Desenvolver

É oportuno lembrar que a própria palavra “desenvolver” traz na sua origem um dos princípios da delegação: des (deixar) envolver.

Deixar de se envolver, é dar e oferecer oportunidades para que os outros façam, aprendam e cresçam.

Deixar de se envolver não significa abandonar, estar ausente. Significa estar presente, sem intromissão. Delegar é ficar disponível e dar total liberdade para que os colaboradores possam contar com a sua contribuição, caso necessitem.

Delegar não é abdicar

Delegar consiste em identificar uma parte do seu trabalho que possa ser feito pelos seus colaboradores, para que você tenha condições de se dedicar a outras responsabilidades mais inovadoras e desafiantes. Delegar não é dar a autoridade para os colaboradores fazerem o que já faz parte das atribuições deles. Mas sim tarefas e atribuições que hoje lhe pertencem na posição de líder.

Treinar, comunicar as outras pessoas envolvidas naquele trabalho que está sendo delegado e acompanhar é parte integrante do processo de delegação.

Um dos fatores mais esquecidos do processo de delegação reside no fato de que a responsabilidade é algo indelegável. Os verdadeiros líderes sabem que, mesmo delegando, continuam responsáveis pelo êxito ou insucesso de seus liderados.

Quanto mais alto no escalão hierárquico da empresa, maior é a responsabilidade. A responsabilidade sempre flui no sentido ascendente da organização.

Delega-se autoridade, a responsabilidade maior é dos líderes

O que se deve delegar é “a autoridade” para que as pessoas possam decidir o que fazer sem recorrer necessariamente à palavra final do supervisor. A “autoridade” deveria fluir no sentido descendente das organizações, para que as pessoas nos diversos níveis hierárquicos tivessem autonomia em poder fazer as coisas acontecerem.

Autonomia não é independência, agir isoladamente, sem levar em conta as implicações de seus atos para as outras pessoas ou unidades da organização. Quando se delega, os líderes sabem que continuam com a responsabilidade, mas fazem com que os seus colaboradores se sintam tão responsáveis quanto ele na condução do trabalho, já que será cobrado por isto.

Finalmente, delegar significa conversar com os colaborares para identificar as seguintes questões: motivação, confiança, conhecimento do trabalho a ser delegado e habilidade para realizar o trabalho e experiência na execução de trabalhos semelhantes. Não se delega para as pessoas que não tenham as condições mínimas para executar. Isso é irresponsabilidade.

Adaptação do texto Gestão e Liderança – FGV Management

Fonte: PanoramadeNegocios

Para esse assunto são diversos os questionamentos, medos e inseguranças, tudo depende do nível que se encontra o colaborador, de acordo com sua curva de aprendizagem e ciclo de desenvolvimento. É muito comum a dificuldade da delegação por si só, pois a responsabilidade é algo que sempre contará como ponto crucial nesse processo, porém deve ser trabalhado em conjunto com os liderados e obviamente motivação dos mesmos. Abaixo a figura ilustra em quatro passos simplificados os níveis de desenvolvimento que a equipe deve percorrer para alcançar os resultados almejados.

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E1 – Lider = Eu Decido

Liderado = O principiante empolgado

A2 – Lider = Vamos conversar e depois, eu decido

Liderado = O aprendiz decepcionado

E3 – Lider = Vamos conversar e depois, nós decidimos

Liderado = O colaborador capaz mas hesitante

E4 – Lider = Você decide

Liderado = O realizador autoconfiante

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É saudável para o ambiente organizacional que façamos de tudo para trilhar esses níveis, realmente analisar como está nosso crescimento profissional, o por quê da parada, se houver. Sempre será uma troca mutua, alguns lados tem que ceder e se posicionar mais que outros, contudo não deixará de ser compartilhada.

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